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Consolidação setorial: por que os deals em saúde, energia e tecnologia devem liderar o M&A em 2025

  • Foto do escritor: Deallink
    Deallink
  • 14 de jan.
  • 5 min de leitura

Consolidação setorial, em 2025, tende a ser menos um “buzzword” e mais uma resposta concreta à combinação de juros ainda elevados, pressão regulatória e necessidade de escala em setores intensivos em capital e tecnologia. Saúde, energia e tecnologia reúnem todas essas características e, por isso, são fortes candidatos a liderar o pipeline global e brasileiro de transações neste novo ciclo de M&A, em que o foco deixa de ser volume puro e passa a ser qualidade estratégica dos deals. Estudos recentes mostram que, após o vale de 2023, o valor global de transações voltou a crescer em 2024, aproximando-se dos níveis pré-pandemia, com aumento relevante na proporção de deals bilionários e maior apetite por transações transformacionais. (Morrison Foerster)


Consolidação setorial: por que os deals em saúde, energia e tecnologia devem liderar o M&A em 2025

Consolidação como resposta ao novo ciclo de M&A


A leitura dominante entre bancos de investimento e casas de consultoria é de que 2025 marca um novo “upcycle” do mercado de M&A: maior confiança dos CEOs, expectativas de afrouxamento monetário e normalização gradual de valuations depois do choque de juros e da correção em empresas de crescimento. Nesse cenário, saúde, energia e tecnologia despontam como setores em que a fragmentação ainda é alta, a necessidade de investimento é constante e a pressão competitiva exige escala, integração de dados e ganhos de eficiência. Relatórios globais apontam que, mesmo em um ambiente de incerteza, o retorno esperado em M&A tende a melhorar em 2025, à medida que compradores se tornam mais seletivos e focados em sinergias reais, não apenas em arbitragem financeira.


Saúde: escala, regulação e pressão de custos


No setor de saúde, a consolidação não é opcional, mas uma resposta direta ao envelhecimento populacional, ao aumento da prevalência de doenças crônicas e à escalada contínua dos custos assistenciais. Dados recentes de consultorias internacionais mostram que, embora o volume de transações em saúde e ciências da vida tenha recuado em 2023–2024, os valores de negócios relevantes permaneceram elevados e, em 2025, há um reposicionamento em direção a deals maiores e mais estratégicos, especialmente envolvendo operadores com balanço robusto e mandato de crescimento de longo prazo.


Hospitais, redes de clínicas, laboratórios, planos de saúde e empresas de healthtech enfrentam o mesmo dilema: sozinhos, têm dificuldade para investir em tecnologia, prontuário eletrônico, analytics, telemedicina e integração de jornada do paciente. Em 2025, a tendência é de consolidações que buscam construir plataformas integradas de cuidado, unindo ativos físicos e digitais, com foco em coordenação de cuidado, remuneração por valor e uso intensivo de dados. O movimento de healthtechs mais maduras adquirindo players menores, ao mesmo tempo em que se tornam alvo de fundos de private equity e investidores estratégicos, reforça a tese de que saúde seguirá como um dos epicentros da consolidação setorial global.


Energia: transição energética, infraestrutura e fluxo de caixa estável


O setor de energia combina dois elementos que, em 2025, são particularmente atrativos para investidores estratégicos e financeiros: a necessidade gigantesca de capex para viabilizar a transição energética e o apelo de ativos com fluxos de caixa previsíveis, indexados a contratos de longo prazo. Relatórios focados em América Latina e Brasil destacam que infraestrutura e energia tiveram papel central nos deals de 2024 e devem continuar protagonizando a atividade em 2025, tanto em transações de geração e transmissão quanto em renováveis, gás, biomassa e soluções integradas para grandes consumidores.


No caso brasileiro, notícias recentes indicam que a energia e recursos naturais já respondem por parcela expressiva do volume de M&A em 2025, impulsionadas por desinvestimentos de grandes grupos globais, reestruturações de portfólio e vendas de ativos considerados não core, além do interesse de investidores em plataformas que combinem eficiência operacional e ativos subvalorizados. Adicionalmente, a transição energética cria oportunidades de consolidação em toda a cadeia: desde desenvolvedores de projetos renováveis até empresas de infraestrutura de transmissão, armazenamento e soluções de descarbonização para setores intensivos em energia. Para players tradicionais, isso significa usar M&A não apenas para crescer, mas para reposicionar o portfólio em direção a ativos mais “verdes” e resilientes.


Tecnologia: IA, dados e a corrida por plataformas


A tecnologia permanece como o coração do novo ciclo de M&A. Em 2024, a atividade de M&A em tecnologia ultrapassou a marca de centenas de bilhões de dólares, com crescimento de dois dígitos em relação a 2023 e forte concentração em empresas de software, infraestrutura em nuvem, cibersegurança e, sobretudo, inteligência artificial e data centers. Em 2025, a expectativa é de que esse movimento se aprofunde, com uma combinação de grandes transações estratégicas, consolidações “bolt-on” para aquisição de tecnologia específica e deals patrocinados por private equity em ativos que passaram por correções de valuation.


A lógica de consolidação em tecnologia é clara: empresas que competem em ambientes digitais intensivos dependem de escala de dados, capacidade computacional e densidade de talento em engenharia. Ao adquirir competidores, startups complementares ou provedores de infraestrutura, grupos estratégicos aceleram roadmaps de produto, reduzem time-to-market e constroem ecossistemas mais completos para seus clientes. Relatórios recentes de bancos globais indicam que tecnologia, mídia e telecom ocupam o topo das expectativas de setores mais ativos em M&A em 2025, reforçando que esse continuará sendo o eixo central da consolidação setorial.


O papel do Brasil e da América Latina na consolidação setorial


Na América Latina, o protagonismo brasileiro permanece evidente. Estudos recentes apontam que o volume de M&A no Brasil cresceu de forma expressiva em 2025 na comparação com 2024, embora com menor número de transações, o que revela um movimento de tickets maiores e foco em negócios mais estratégicos. No recorte setorial, tecnologia e energia aparecem de forma recorrente entre os motores de atividade, enquanto saúde ganha relevância por meio de plataformas regionais de hospitais, diagnósticos e planos de saúde, além da crescente presença de healthtechs e de investidores especializados.


Essa combinação é especialmente relevante para investidores globais que buscam diversificação geográfica, exposição à transição energética e acesso a um mercado de saúde em expansão. Ao mesmo tempo, a maturidade crescente do ecossistema de tecnologia na região torna os ativos latino-americanos alvos naturais de consolidação, seja por players locais, seja por grupos globais que buscam fortalecer sua presença em mercados emergentes.


Fios condutores da consolidação em saúde, energia e tecnologia


Apesar das especificidades de cada setor, há três fios condutores que explicam por que saúde, energia e tecnologia tendem a liderar o M&A em 2025. O primeiro é a necessidade de escala para diluir custos fixos elevados. O segundo é a centralidade de dados. O terceiro é o ambiente regulatório, que, embora represente uma barreira, também funciona como defesa competitiva para quem consegue navegar regras complexas de forma eficiente.


Esses elementos se combinam com um contexto macro em que os melhores compradores estão mais disciplinados, com foco em retornos no custo médio ponderado de capital e na geração de valor de longo prazo. Isso incentiva transações em que a tese de consolidação está clara: racionalização de capacidade, padronização de processos, captura de sinergias operacionais e uso mais intensivo de tecnologia e dados para aumentar produtividade e reduzir custos.


2025 tende a ser o ano em que a consolidação setorial deixa de ser apenas uma resposta tática à volatilidade e se torna um instrumento estratégico de reposicionamento estrutural em saúde, energia e tecnologia. Quem conseguir combinar disciplina de capital, leitura fina das tendências regulatórias e excelência na integração terá a oportunidade de liderar o novo ciclo de M&A em um mundo em rápida transformação.

 
 

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