Processos de fusão: por que gestão de projetos é tão importante?

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Os processos de fusão e aquisição — M&A (Mergers and Acquisitions) — demandam planejamento e um esforço global, das empresas-alvo e das licitantes, que após várias etapas de negociação, envio e análise documental, celebrarão um contrato que permitirá seu crescimento e a alteração de todo o contexto do seu mercado de atuação.

Nesses processos, a gestão de projetos é um modelo imprescindível para garantir o planejamento e o controle necessários ao sucesso da transação: inibe problemas e falhas que podem ser muito onerosas se chegarem a fins judiciais. Confira como a gestão de projetos pode impactar os processos de fusão e aquisição, como essas transações ocorrem e a importância do data room virtual nesse contexto.

Como funciona o processo de fusão e aquisição nas empresas?

Algumas etapas das transações de fusão e aquisição têm um certo nível de complexidade, como a análise documental em due dilligence. Alguns processos descritos a seguir podem não ocorrer, mas, em geral, uma transação de M&A compreende as fases descritas.

Planejamento e definição do valuation da empresa

Consiste em definir os primeiros requisitos para a efetivação do processo, especialmente o valor da empresa no mercado e os objetivos almejados pelos gestores com a transação. A etapa minimiza os riscos que interferem no sucesso do projeto.

Criação do teaser

Esse resumo executivo é enviado para possíveis compradores com o intuito de despertar o interesse pela transação. Compreende informações financeiras e previsões estatísticas, com cenários favoráveis de expansão da empresa no mercado caso o processo ocorra.

Solicitação da indicação de interesse — Indication of Interest (IOI)

O documento demonstra a inclinação da interessada pela efetivação da transação e consta o valor que a empresa está disposta a pagar por isso.

Assinatura do acordo de confidencialidade — Non-Disclosure Agreement (NDA)

De posse da IOI, a empresa-alvo e suas interessadas assinam um acordo de confidencialidade, que garante os requisitos de segurança da informação durante todo o processo de negociação e efetivação de contratos. São protegidos:

  • dados estratégicos;
  • informações proprietárias para licitantes concorrentes de mercado;
  • contato de profissionais, clientes e fornecedores da empresa-alvo durante o processo e por um período predeterminado caso a transação não seja efetivada.

Implementação do due diligence

O comprador e o vendedor também devem realizar reuniões de negociação, em que são analisados os documentos, registros, controles financeiros, acordos, litígios, questões trabalhistas e de compliance da empresa-alvo.

Nesse momento, a tecnologia é essencial, uma vez que propicia esse encontro em um ambiente virtual: o data room é o local ideal para esse compartilhamento de dados no processo de due diligence, pois garante alta disponibilidade da informação sem aumentar o nível de criticidade da segurança de dados.

Envio ou solicitação da carta de intenções — Letter of Intent (LOI)

É o início do processo de concordância entre as partes, pois no documento consta a oferta do comprador após a análise documental, ou seja, o valor que a interessada está disposta a pagar para efetivar os processos de fusão e aquisição.

Além disso, deve abranger questões como o envolvimento de uma dívida, investimentos ou a existência de propriedades intelectuais de alto valor agregado.

Efetivação da transação

Nessa fase, os valores já negociados são definidos, as minutas do contrato discutidas e questões burocráticas que poderiam interferir no processo delimitadas — representações e garantias, indenizações, condições de rescisão contratual ou outros problemas estabelecidos e sistematizados durante o processo de due diligence.

Alguns ajustes finais são feitos, um responsável é nomeado pela integração dos novos processos, pessoas etc., ou para a remodelagem da cultura organizacional, para finalmente a transação ser efetivada.

Como o gerenciamento de projetos impacta os processos de fusão e aquisição?

No Guia PMBOK — uma das maiores referências literárias da gestão de projetos —, um projeto é um esforço temporário (com começo, meio e fim e não cíclico, como processos) que cria produtos, serviços ou resultados únicos ou individuais.

Em uma transação de M&A, são investidos tempo, capital e conhecimento para alterar um contexto do mercado: a empresa objetiva transformar o negócio ou reestruturá-lo como forma de expansão.

Além disso, as transações de M&A ocorrem para viabilizar uma recuperação financeira, assegurar o controle da capacidade produtiva de um setor, ganhar posição no mercado quando se carece de experiência ou expertise, absorver capital intelectual e investimento legado com o intuito de impulsionar a produção de novos itens, corrigir falhas gerenciais, responder a uma especulação mercadológica ou na defesa de uma transação que poderia ser menos vantajosa.

Em geral, são resultados obtidos após um esforço abrangente — profissionais, gestores, CEOs em busca da resolução de uma demanda ou objetivo. Antes, a empresa deve realizar pesquisas e estabelecer um planejamento, com levantamento de informações, estimativas de lucro e avaliação de problemas e oportunidades, para decidir se a investida será lucrativa.

Isso inclui a elaboração de um escopo de projeto, a organização documental e de todos os recursos necessários para a assinatura do contrato — humanos, financeiros e materiais —, a montagem do cronograma das fases que serão executadas e o monitoramento dos riscos associados ao projeto.

A empresa-alvo também deve providenciar as questões burocráticas que envolvem esse processo e isso requer uma gestão bem estruturada. Logo, a gestão de projetos é a melhor forma de planejar, executar, monitorar e controlar as fases da transação para entregar um resultado adequado às expectativas das partes e conduzir um acordo que será bem-sucedido — sem falhas ou desvios.

Qual a importância do data room virtual para o sucesso das transações de M&A?

Processos de fusão e aquisição, assim como IPO’s (Initial Public Offering), rodadas de captação de recursos, ou transações financeiras e jurídicas, são eventos em que a fase due diligence exige o uso de uma sala de dados com capacidade para suportar o grande volume de informação para compartilhamento, sem comprometer requisitos mínimos da segurança da informação: confidencialidade, disponibilidade e integridade.

O data room virtual é um ambiente digital que favorece esse requisitos básicos, pois contempla a capacidade de adição de muitos documentos, em momentos distintos e por usuários diversos, sem onerar os custos dessas transações — os gastos são mais altos em salas de dados tradicionais (físicas), além das transações serem mais demoradas e cansativas nesse modelo.

Confira o artigo Data room virtual Brasil: saiba como escolher o provedor ideal e conheça a solução mais adequada para os processos de fusão e aquisição no país.

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